O aumento da
eficiência produtiva quase sempre é limitado pela deficiência nutricional
presenciada pelos animais ao longo do seu crescimento. Por definição, o animal só
desempenhará satisfatoriamente suas funções produtivas e reprodutivas quando lhe
disponibilizarem nutrientes em quantidade e qualidade adequadas. E por ser criado
em sistema de produção, baseado quase que exclusivamente na exploração das
pastagens, fato comumente observado no Brasil, torna-se praticamente impossível
conciliar a produção de forragem de alta qualidade, durante o ano, com a demanda
de nutrientes.
A produção pecuária
dos países localizados no Trópico Sul, no qual se enquadra o Brasil, é
reconhecidamente afetada pela estacionalidade da produção de forragens. Esta
estacionalidade gera a necessidade de suplementação mineral e proteica dos
bovinos no período seco, quando o objetivo dos pecuaristas é o incremento do
ganho de peso.
Na tentativa de
elevar a produção de forragem, muitos produtores vedam piquetes precocemente,
resultando no aumento do intervalo entre cortes do capim e em alterações
significativas na estrutura e composição daquele a ser pastejado. A maior
altura do dossel forrageiro será representada por incremento de haste, a qual
apresenta valor nutritivo bem inferior às folhas. Quanto maior a altura no
momento do pastejo, maior o tempo para a realização de um bocado, o que poderá
acarretar menor consumo ao longo de um dia de pastejo. A forragem consumida
apresentará menores teores de minerais e proteína bruta, porém maior teor de
fibra.
A redução porcentual
do teor de proteína bruta é bem mais significativa que a queda no de Nutrientes
Digestíveis Totais (DNT), levando ao aumento da relação NDT:PB. Quando essa
relação excede 7:1, o consumo de matéria seca é prejudicado, pois o seu aumento
indica falta de nitrogênio fermentescível no rúmen, substrato fundamental para
que os micro-organismos degradem alimentos fibrosos.
A deficiência de
fontes nitrogenadas no rúmen, principalmente oriundas de fontes de proteína
verdadeira (ex.: farelos proteicos), resulta em menor síntese de proteína
microbiana e, consequentemente, na redução do aporte de aminoácidos no duodeno,
fato que também explica a diminuição de consumo. Por isso, não é incomum
resultados de desempenhos insatisfatórios no período seco, quando bovinos não
são suplementados com fontes proteicas adequadas.
Em última análise,
ao suplementar os animais com nutrientes limitantes na forragem (proteína,
energia e minerais), no período seco, haverá incremento no consumo de forragem,
bem como maior digestibilidade do alimento consumido. A adoção dessa prática
elimina o chamado “boi sanfona”, animal que perde peso no período seco, fato
que compromete a eficiência econômica e produtiva de qualquer propriedade.
(*) José Leonardo
Ribeiro é gerente de Produtos de Ruminantes da Guabi