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 Eleições 2010

Eleições 2010

Propostas do campo

 

Lideranças do setor rural apresentam documento aos governadoriáveis, sugerindo medidas que vão de política agrícola a meio ambiente

 

A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) já desenhou sua estratégia para as eleições deste ano. Com o objetivo de mobilizar os produtores em torno das campanhas em níveis nacional e regional, a entidade promoveu reuniões nos sindicatos rurais e formalizou documentos contendo propostas do setor que foram apresentadas aos candidatos. Há três meses, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou o seminário O Que Esperamos do Próximo Presidente em todas as regiões do País. Goiânia foi sede da edição Centro-Oeste.

 

No dia 24, encerrando a rodada de seminários batizada de O Que Esperamos do Próximo Governador, a Faeg reuniu em sua sede os participantes do evento para concluir um documento a ser entregue aos candidatos. Foram realizados seminários em oito regiões do Estado. Nele, existem propostas ligadas a sete temas estratégicos – responsabilidade social, pesquisa, assistência técnica e extensão rural, infraestrutura e logística, meio ambiente, segurança alimentar, política agrícola e segurança rural.

 

A federação se reunirá com os presidentes de partidos e governadoriáveis no próximo dia 6 de agosto para fazer a entrega oficial do Documento Goiás – Expectativas do Setor Produtivo ao Próximo Governador e debater as propostas. O encontro foi acertado no fim da primeira quinzena de junho, após as convenções partidárias. Segundo o presidente da entidade, José Mário Schreiner, os postulantes ao Executivo serão questionados sobre suas opiniões a respeito dos temas levantados pela classe produtora. “Esse documento pode sofrer acréscimos, pois não é um produto fechado”, destacou o dirigente.

 

Alguns dos temas mereceram atenção especial dos produtores e lideranças sindicais. Um deles, a responsabilidade social, envolve educação, saúde, formação profissional, pobreza rural e trabalho decente. Nesse tópico, uma das preocupações do setor é quanto à qualidade de vida das famílias rurais, muitas delas sem apoio governamental nas áreas de educação e saúde. Além disso, há a necessidade de o trabalhador no campo ter garantia de renda, com a adoção de estratégias que lhes garantam inserção no mercado.

 

Uma segunda proposta diz respeito ao meio ambiente, com linhas de ação bem delimitadas: reforma do código florestal, desmatamento zero nas florestas, pagamento por serviços ambientais das propriedades rurais e consolidação das áreas de produção. Para o presidente da Faeg, o Brasil é o único país que pode abastecer a demanda mundial de alimentos e matérias-primas sem agredir a biodiversidade.

 

Dois outros temas – segurança rural e política agrícola – são igualmente preocupantes. No primeiro, há a necessidade de assegurar alguns aspectos fundamentais, como o direito de propriedade e o estado de direito. Os produtores defendem a economia livre de mercado e são contra as invasões de terras, pois elas não podem ser utilizadas como finalidade política. Em termos de política agrícola, a implantação do seguro rural, a criação de uma central de riscos unificada e a desoneração das cadeias produtivas permearam os debates.

 

“Esperamos por respostas convincentes. A Faeg vai acompanhar o cumprimento das medidas daquele candidato que vencer a eleição”, promete Schreiner. A federação poderá propor ao novo governador a criação das parcerias público-privadas (PPP), envolvendo todos os municípios no processo. Seria uma forma de contribuir na viabilização das medidas. E que, mais uma vez, o discurso vazio, recheado de promessas vãs, não se imponha à ação na prática.

 

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