Lideranças do
setor rural apresentam documento aos governadoriáveis, sugerindo medidas que
vão de política agrícola a meio ambiente
A
Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) já desenhou sua estratégia para
as eleições deste ano. Com o objetivo de mobilizar os produtores em torno das
campanhas em níveis nacional e regional, a entidade promoveu reuniões nos
sindicatos rurais e formalizou documentos contendo propostas do setor que foram
apresentadas aos candidatos. Há três meses, a Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil (CNA) realizou o seminário O Que Esperamos do Próximo Presidente em
todas as regiões do País. Goiânia foi sede da edição Centro-Oeste.
No
dia 24, encerrando a rodada de seminários batizada de O Que Esperamos do
Próximo Governador, a Faeg reuniu em sua sede os participantes do evento para
concluir um documento a ser entregue aos candidatos. Foram realizados
seminários em oito regiões do Estado. Nele, existem propostas ligadas a sete
temas estratégicos – responsabilidade social, pesquisa, assistência técnica e
extensão rural, infraestrutura e logística, meio ambiente, segurança alimentar,
política agrícola e segurança rural.
A
federação se reunirá com os presidentes de partidos e governadoriáveis no
próximo dia 6 de agosto para fazer a entrega oficial do Documento Goiás –
Expectativas do Setor Produtivo ao Próximo Governador e debater as propostas. O
encontro foi acertado no fim da primeira quinzena de junho, após as convenções
partidárias. Segundo o presidente da entidade, José Mário Schreiner, os
postulantes ao Executivo serão questionados sobre suas opiniões a respeito dos
temas levantados pela classe produtora. “Esse documento pode sofrer acréscimos,
pois não é um produto fechado”, destacou o dirigente.
Alguns
dos temas mereceram atenção especial dos produtores e lideranças sindicais. Um
deles, a responsabilidade social, envolve educação, saúde, formação
profissional, pobreza rural e trabalho decente. Nesse tópico, uma das
preocupações do setor é quanto à qualidade de vida das famílias rurais, muitas delas
sem apoio governamental nas áreas de educação e saúde. Além disso, há a
necessidade de o trabalhador no campo ter garantia de renda, com a adoção de
estratégias que lhes garantam inserção no mercado.
Uma
segunda proposta diz respeito ao meio ambiente, com linhas de ação bem
delimitadas: reforma do código florestal, desmatamento zero nas florestas,
pagamento por serviços ambientais das propriedades rurais e consolidação das
áreas de produção. Para o presidente da Faeg, o Brasil é o único país que pode
abastecer a demanda mundial de alimentos e matérias-primas sem agredir a
biodiversidade.
Dois
outros temas – segurança rural e política agrícola – são igualmente
preocupantes. No primeiro, há a necessidade de assegurar alguns aspectos
fundamentais, como o direito de propriedade e o estado de direito. Os
produtores defendem a economia livre de mercado e são contra as invasões de
terras, pois elas não podem ser utilizadas como finalidade política. Em termos
de política agrícola, a implantação do seguro rural, a criação de uma central
de riscos unificada e a desoneração das cadeias produtivas permearam os
debates.
“Esperamos
por respostas convincentes. A Faeg vai acompanhar o cumprimento das medidas
daquele candidato que vencer a eleição”, promete Schreiner. A federação poderá
propor ao novo governador a criação das parcerias público-privadas (PPP),
envolvendo todos os municípios no processo. Seria uma forma de contribuir na
viabilização das medidas. E que, mais uma vez, o discurso vazio, recheado de promessas
vãs, não se imponha à ação na prática.