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 Sérgio Carlo Franco Morgulis

O que esperar de 2010

 

Sérgio Carlo Franco Morgulis*

 

Apesar da queda nos preços dos suplementos em decorrência da desvalorização do fosfato bicálcico e do aumento da disputa pelos fabricantes desses produtos, principalmente no segundo semestre, o mercado de suplementos para bovinos diminuiu 7%, de acordo com estimativas da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), considerando dados de janeiro a outubro de 2009. Esse resultado se deve a uma soma de fatores que desenharam o cenário do setor. Os fazendeiros consumiram os estoques de suplementos e passaram a comprar menor quantidade em decorrência da constante queda dos preços ao longo do ano, que foi de muita chuva, inclusive durante o período da seca, resultando em baixo consumo de ureia, proteicos e proteicos energéticos. Ocorreu também uma diminuição no número de animais confinados, o que reduziu o consumo de núcleos minerais para essa finalidade.

 

O preço da arroba do bezerro em queda e a instabilidade econômica no setor frigorífico desestimularam a vontade do pecuarista de investir na suplementação do rebanho. Diante do que ocorreu em 2009, o que esperar para 2010? É importante ressaltar que a relação de troca, ou seja, a quantidade de sacos de suplementos comprados com a venda de um bezerro ou de um boi gordo melhorou, quando comparada aos valores históricos.

 

Para se ter uma ideia, se usarmos o índice @/M 90, que significa o número de sacos comprados de um suplemento mineral com 90 gramas de fósforo com a venda de uma arroba (referência São Paulo), observamos que em dezembro de 2008 essa relação era de 1,87. E no mesmo período de 2009 foi de 2,85. Se definirmos o índice @/M 90 para indicar número de sacos comprados de um suplemento mineral com 90 gramas de fósforo com a venda de um bezerro macho (referência São Paulo), notamos que em dezembro de 2008 a relação era de 14,94, enquanto que em dezembro de 2009 foi de 23,11. Diante dessa relação de troca mais favorável, pode-se acreditar que o mercado de suplementos será impulsionado em 2010.

 

Novamente alguns fatores podem definir qual a intensidade da reação do mercado, tais como o comportamento dos preços da arroba, do bezerro e do leite neste ano; a variação nos preços dos insumos para a fabricação dos suplementos, com destaque para o fosfato bicálcico, sal branco, farelos proteicos e fontes de energia; a relação entre os preços dos suplementos (principalmente proteicos e energéticos) com a arroba, o bezerro e o leite, além do comportamento do clima e do regime pluviométrico. Outro fator que deve definir o ânimo dos investimentos do pecuarista na atividade será a estabilidade econômica dos frigoríficos e laticínios.

 

Portanto, o pecuarista precisa colocar todas as contas na ponta do lápis e saber exatamente no que investir para atingir o resultado que traçou para o seu negócio. Chegou a hora da pecuária de corte e leite começar a tratar a aquisição de seus insumos com o conceito de precisão, que leva em consideração os diversos fatores que podem influenciar as exigências nutricionais dos bovinos. A mineralização deve ser adequada para cada categoria animal, época do ano e características específicas do local onde está a propriedade, como condições de pastagens e clima. Só assim será possível usufruir da relação de troca favorável entre o custo do insumo e o valor da arroba do animal.

 

(*) Sérgio Carlo Franco Morgulis é médico veterinário, diretor técnico da Minerthal Produtos Agropecuários e diretor do Sindirações

 

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