Apesar da queda nos preços dos suplementos em decorrência da
desvalorização do fosfato bicálcico e do aumento da disputa pelos fabricantes
desses produtos, principalmente no segundo semestre, o mercado de suplementos
para bovinos diminuiu 7%, de acordo com estimativas da Associação Brasileira
das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), considerando dados de janeiro
a outubro de 2009. Esse resultado se deve a uma soma de fatores que desenharam
o cenário do setor. Os fazendeiros consumiram os estoques de suplementos e
passaram a comprar menor quantidade em decorrência da constante queda dos
preços ao longo do ano, que foi de muita chuva, inclusive durante o período da
seca, resultando em baixo consumo de ureia, proteicos e proteicos energéticos.
Ocorreu também uma diminuição no número de animais confinados, o que reduziu o
consumo de núcleos minerais para essa finalidade.
O preço da arroba do bezerro em queda e a instabilidade
econômica no setor frigorífico desestimularam a vontade do pecuarista de
investir na suplementação do rebanho. Diante do que ocorreu em 2009, o que
esperar para 2010? É importante ressaltar que a relação de troca, ou seja, a
quantidade de sacos de suplementos comprados com a venda de um bezerro ou de um
boi gordo melhorou, quando comparada aos valores históricos.
Para se ter uma ideia, se usarmos o índice @/M 90, que
significa o número de sacos comprados de um suplemento mineral com 90 gramas de fósforo com
a venda de uma arroba (referência São Paulo), observamos que em dezembro de
2008 essa relação era de 1,87. E no mesmo período de 2009 foi de 2,85. Se
definirmos o índice @/M 90 para indicar número de sacos comprados de um
suplemento mineral com 90
gramas de fósforo com a venda de um bezerro macho
(referência São Paulo), notamos que em dezembro de 2008 a relação era de 14,94,
enquanto que em dezembro de 2009 foi de 23,11. Diante dessa relação de troca
mais favorável, pode-se acreditar que o mercado de suplementos será
impulsionado em 2010.
Novamente alguns fatores podem definir qual a intensidade da
reação do mercado, tais como o comportamento dos preços da arroba, do bezerro e
do leite neste ano; a variação nos preços dos insumos para a fabricação dos suplementos,
com destaque para o fosfato bicálcico, sal branco, farelos proteicos e fontes
de energia; a relação entre os preços dos suplementos (principalmente proteicos
e energéticos) com a arroba, o bezerro e o leite, além do comportamento do
clima e do regime pluviométrico. Outro fator que deve definir o ânimo dos
investimentos do pecuarista na atividade será a estabilidade econômica dos
frigoríficos e laticínios.
Portanto, o pecuarista precisa colocar todas as contas na
ponta do lápis e saber exatamente no que investir para atingir o resultado que
traçou para o seu negócio. Chegou a hora da pecuária de corte e leite começar a
tratar a aquisição de seus insumos com o conceito de precisão, que leva em
consideração os diversos fatores que podem influenciar as exigências
nutricionais dos bovinos. A mineralização deve ser adequada para cada categoria
animal, época do ano e características específicas do local onde está a
propriedade, como condições de pastagens e clima. Só assim será possível
usufruir da relação de troca favorável entre o custo do insumo e o valor da
arroba do animal.
(*) Sérgio Carlo Franco Morgulis é médico veterinário,
diretor técnico da Minerthal Produtos Agropecuários e diretor do Sindirações