A falta de preocupação de uma parcela dos pecuaristas com a
mineralização do rebanho é hoje motivo de apreensão dentro da cadeia de
produção animal, uma vez que a desmineralização e/ou a submineralização do gado
está entre os fatores responsáveis pelos baixos índices de produtividade média
das fazendas de criação, tanto em sistemas de produção de carne quanto de
leite.
São muitas as variáveis possíveis de serem analisadas, antes
de se chegar a um número confiável com relação ao atual déficit de
mineralização do rebanho bovino brasileiro, que mantém população flutuante de
170 milhões de cabeças distribuídas em uma área aproximada de 170 milhões de
hectares de pastagens. Dados do setor, no entanto, mostram que entre 30% e 40%
dos nossos rebanhos não recebem nenhum tipo de suplementação nutricional, porcentual
que cresce de forma preocupante se for considerado os animais subssuplementados,
entre 70% e 80%, que são aqueles que não têm incluído em suas dietas a
quantidade correta de sal mineral ou qualquer outro tipo de suplementação
alimentar.
Uma conta simples ajuda a ilustrar melhor esse cenário,
pois, se considerarmos um consumo médio diário de 70 gramas/animal/dia, seriam
necessários 4 milhões de toneladas de sal mineral para abastecer somente o
mercado interno. Dados do segmento, no entanto, dão conta de uma produção
nacional de apenas 2 milhões de toneladas. Ou seja, metade daquilo que seria
efetivamente necessário para a suplementação adequada do rebanho.
Outro fato importante para análise diz respeito aos atuais
índices que medem a produtividade média por hectare da pecuária brasileira,
muito aquém daquilo que se pode visualizar como ideal, considerando os índices
de alguns países que concorrem diretamente com o Brasil por uma fatia do
mercado mundial de produtos de origem animal. Isso significa, em outras
palavras, que existe uma necessidade urgente de a pecuária elevar seu nível de
tecnificação, caso queira competir em condição de igualdade por esses nichos de
consumo.
A menor disponibilidade de área para a pecuária de corte e a
pressão social em torno de um modelo de produção agrícola sustentável também
têm sido fatores responsáveis por acelerar o processo de intensificação do
sistema de produção da pecuária no mundo.
A explicação para essa falta de cuidado do pecuarista com a
nutrição do gado, ou mesmo para a utilização de técnicas alternativas de
suplementação do rebanho como o uso de sal branco misturado ao suplemento
mineral, farinha de osso, entre outras invenções comumente vistas no campo, baseia-se
na falsa ideia de que os bovinos apresentam resistência natural aos desafios propostos
pelo ambiente, quando na verdade, a busca está numa redução dos custos com
alimentação para tentar driblar os efeitos das sucessivas crises financeiras
que geram problemas sérios de caixa às fazendas de criação.
Um ponto preocupante nessa questão é que as consequências de
curto prazo para o pecuarista que não faz uso correto da suplementação mineral
na dieta do gado são quase imperceptíveis, sendo vistas com clareza apenas no
médio e longo prazo. O fazendeiro que deixa de usar sal mineral consegue, ainda
por um tempo, que os resultados se mantenham pouco perceptíveis, o que ajuda a
maquiar a realidade, dando a falsa impressão de que o gasto com mineralização é
dispensável. No entanto, isso não é verdade. Os malefícios gerados pelo
desequilíbrio nutricional na dieta dos animais, no longo prazo, trazem consequências
devastadoras ao rebanho, a ponto de inviabilizar totalmente o projeto.
A ação de empresários inescrupulosos dentro do mercado que
vendem falsas promessas ao produtor é outro fator que tem levado muitos
pecuaristas a não mais saber em quem ou no que acreditar. E isso é muito ruim
para o futuro da atividade pecuária e, sobretudo, para o setor de nutrição
animal.
A forma que empresas encontram para atuar dentro do mercado,
em sua grande maioria, é oferecendo produtos milagrosos, com preços bem abaixo
do que é praticado por outros fabricantes, com a diferença de jamais
apresentarem qualquer dado científico consistente sobre os resultados obtidos
por suas supostas tecnologias. Por isso, todo cuidado é pouco na hora de
escolher a empresa para quem você vai entregar a nutrição do seu rebanho.
(*) Lauriston Bertelli
é diretor técnico da Premix Técnica em Suplementação