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 Biotecnologia

Biotecnologia

Revolução nos hormônios

 

Estudo utiliza aditivo na nutrição de fêmeas nelore de corte e alcança bons resultados, com elevação dos níveis de progesterona e da taxa de prenhez

 

Carlos Alberto Pacheco

 

Diante da tendência atual de evolução biotecnológica dos bovinos, para muitos um processo considerado irreversível, surgem exemplos no País de técnicas inovadoras com resultados surpreendentes. Criadores de gado de corte seguem os passos dos pecuaristas que possuem animais de elite, sobretudo matrizes e doadoras de embriões de qualidade genética indiscutível. Médicos veterinários e pesquisadores brasileiros atestam as vantagens da adoção de aditivos e suplementos tanto no ganho de energia quanto na taxa de prenhez.

 

A médica veterinária e mestre em produção animal Catarina Nobre Lopes, sob orientação do professor José Luiz Moraes Vasconcelos, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), desenvolveu um trabalho pioneiro em vacas nelore. Catarina utilizou o aditivo nutracêutico (Megalac-E®) para aumentar o nível de progesterona em animais submetidos ao processo conhecido como Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF). Os resultados de prenhez são maximizados.

 

Esse estudo foi realizado nos últimos três anos em mais de 5,8 mil vacas, a grande maioria da raça nelore, entre primíparas (primeira gestação) e multíparas (parição de vários filhos numa só vez). O trabalho se concentrou em quatro fazendas de referência da região de Mato Grosso do Sul e uma de Mato Grosso. Segundo Catarina, os excelentes resultados ocorreram porque o Megalac-E®, que exibe alta quantidade de ácidos graxos essenciais (AGE), a exemplo do ômega 6 (ácido linoleico) e ômega 3 (ácido linolênico), “eleva a concentração de progesterona, hormônio que está diretamente associado ao aumento de taxa de prenhez, devido ao estímulo do desenvolvimento do embrião”. O estudo comprova o visível acréscimo de progesterona nas vacas suplementadas com o aditivo.

 

O trabalho da médica veterinária possui o mesmo mérito de outro estudo científico realizado no Brasil com lote de bovinos de corte. Os resultados foram publicados em um dos veículos mais importantes da área de saúde animal do mundo, o jornal da American Society of Animal Science. Esse estudo revela que a taxa de prenhez de vacas de corte suplementadas com Megalac-E® após a IATF ou ao final do protocolo de sincronização de receptoras de embriões in vitro aumenta em média 10 pontos porcentuais.

 

Para Catarina, o grupo de vacas que recebe dietas isoenergéticas com o aditivo de fato alcança prenhez na faixa de 10% superior ao lote suplementado com gordura bypass. Quanto a esse segundo grupo, a veterinária esclarece que “a energia é a mesma, mas existe baixa quantidade de AGE”. Em sua opinião, é importante suplementar o animal até o 28º dia de inseminação, a fim de manter níveis altos de progesterona para assegurar a sobrevivência do embrião. “Nesse período ocorre o desenvolvimento do embrião e o reconhecimento materno-fetal”, explica.

Profissionais reconhecem que esse trabalho é o primeiro a mostrar resultados concretos utilizando-se suplemento com Megalac-E® em reprodução de animais de corte. E, como consequência, a taxa de prenhez supera as expectativas. Especialistas em nutrição animal afirmam que o aditivo é único no País com comprovação científica em termos de reprodução animal e possui reconhecimento no mercado externo. Existem empresas nacionais que há tempos investem em pesquisa em biotecnologia, sobretudo nas investigações da ação dos ômegas 3 e 6.

 

Confiança – De acordo com estudos recentes, o Megalac-E® (gordura bypass rica em ômegas 3 e 6) supre as necessidades energéticas não atendidas pelo restante da dieta e de AGE. Esses ácidos graxos essenciais têm resultados comprovados na maximização da eficiência reprodutiva dos animais. Trata-se de uma marca comercial que conquistou a confiança dos produtores, pois, há mais de duas décadas é sinônimo de qualidade em gorduras ruminais. “São inegáveis os resultados obtidos com sua utilização em mais de 35 países na suplementação energética de milhões de cabeças de gado”, afirmou uma fonte ligada à área de nutrição animal.

 

O aditivo é produzido e comercializado sob rígidas especificações técnicas e de controle de qualidade nas instalações da QGN, empresa localizada no município de Nova Ponte (MG). Ele é encontrado em embalagens de 25 quilos e exibe níveis de garantia de 85% (mínimo) de extrato etéreo e entre 7,5% e 10,2% em cálcio. O perfil de ácidos graxos essenciais do Megalac-E® contém em torno de 42% de ômega 6 e 3% de ômega 3.

 

Química Geral do Nordeste busca novos parceiros

 

Ela possui uma unidade em Camaçari (BA) e visa consolidar negócios com novos parceiros. A Química Geral do Nordeste (QGN) é tradicional empresa que industrializa produtos químicos. Seus técnicos processam bicarbonato de sódio, sais de bário e sal cálcico de ácidos graxos de cadeia longa. A empresa conta inclusive com uma unidade de negócios na área de consumo que comercializa ceras depilatórias com a marca Depiroll®.

 

A QGN é considerada líder de mercado em todos os produtos que fabrica. Grande parte dos clientes é formada por empresas multinacionais. Em junho de 1997, associou-se à Church & Dwight Co. Inc., maior produtor mundial de bicarbonato de sódio. A empresa é especialista em desenvolver aplicações industriais e de consumo final e de outros comercializados com a marca Arm & Hammer®. Em 2002, a Church & Dwight passou a deter 99% do controle acionário da Química Geral do Nordeste S/A.

 

Investimentos na pecuária de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são o principal atrativo para a consolidação das fabricantes de suplementos para nutrição animal no mercado de carnes do Centro-Oeste. Existem empresas de outras regiões, como a do Sul, por exemplo, que atuam há algum tempo nesses dois Estados como fornecedoras de pré-misturas, aditivos e minerais para fábricas de ração. Contudo, desde o fim de 2009, tais empresas buscam ampliar a carteira de clientes, atraindo o interesse de indústrias de rações e sais minerais para aves, suínos e ruminantes e produtores de aves e suínos.

 

“A produção de carne de MS e MT vem crescendo a cada ano e os produtores estão investindo em tecnologia cada vez mais. Como consequência temos o aumento na demanda de rações e minerais para o consumo animal”, afirmou ao portal Fator Brasil, Fernando Blini, coordenador de negócios de uma empresa paranaense de nutrição animal. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso deteve, em 2008, o maior rebanho de gado do País, com 25,6 milhões de animais, enquanto Mato Grosso do Sul foi o terceiro, com mais de 21,8 milhões de animais. Apesar da força do mercado pecuário, Blini explicou que “grandes produtoras de aves e suínos estão migrando para o Centro-Oeste, principalmente Mato Grosso, trazendo com elas tecnologias e desenvolvimento às cidades”.

 

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