Exportações de óleo de
soja poderão atingir, neste ano, o nível mais baixo dos últimos 10 anos, com
embarques estimados em 1,1 milhão de toneladas
A primeira projeção da Associação Brasileira de Óleos Vegetais
(Abiove) antecipa novo recuo para as exportações do complexo soja em 2010, no
que poderá ser o pior desempenho em três anos. Incluindo os embarques de grão,
farelo e óleo, a indústria espera exportar, neste ano, algo em torno de 14,203
bilhões de dólares, num tombo de 17,6% em relação a 2009, quando as vendas
externas somaram 17,240 bilhões de dólares. No ano passado, as exportações já haviam
anotado baixa de 4,2%.
As perdas mais pronunciadas, a se concretizarem as previsões
da Abiove, deverão atingir as vendas de óleo de soja, que já vinham em queda por
conta de questões tributárias que tornam a exportação do grão mais atraente no
País. Em volume, a Abiove trabalha com a perspectiva de vendas próximas a 1,1
milhão de toneladas, o pior número em uma década, pouco mais de 30% inferior ao
resultado de 2009. Como os preços da tonelada de óleo deverão subir para 825
dólares (mais 6,6%), o valor a ser exportado terá sua queda limitada a 25,8%,
para 908 milhões de dólares – o mais baixo desde 2002, quando o setor havia
exportado 778 milhões de dólares.
Com vendas externas previstas em 27,1 milhões de toneladas,
segundo maior volume da série histórica, mas 5% inferior a 2009, a soja em grão deverá
representar exportações de 9,485 bilhões de dólares, perto de 17% a menos do
que os 11,424 bilhões de dólares exportados em 2009, refletindo uma perda de
12,5% no preço médio de exportação (de 400 para 350 dólares por tonelada). A
indústria planeja ampliar os embarques de farelo em 3,7%, para 12,7 milhões de
toneladas, o que não será suficiente para sustentar as receitas esperadas, já
que a cotação média da tonelada de farelo deverá despencar 20% em relação a
2009, saindo de 375 para 300 dólares. A exportação final de farelo, portanto,
poderá sofrer queda de 17%, para 3,810 bilhões de dólares.